15 de outubro de 2016

...

meses passaram sem que o fizesse...
...fazia-me tanta falta, e ainda assim eu não percebia...

...calhou ser esta semana.
...parei o carro junto ao mar...e observei...mas observei como quem sente...
o pôr do sol não foi nada de extraordinário...não havia cores vivas, formas arrojadas, uma temperatura fora do normal...não cheirava a cassapalhas, nem as ondas eram verdes garrafa...havia nuvens,. e o tempo ameaçava mudança. presságio de vento, talvez chuva...mas o efeito em mim foi avassalador...

estive vivo no presente...e fui transportado para o passado, e para um estado de espírito antigo: tão meu...bem mais genuíno que o comum dos dias...tão díspar de quem tenho sido...

...senti! ...senti o dia acabar...sozinho dentro de um carro, à beira-mar.
...recordei...tantas outras vezes em que, sozinho ou na companhia ideal, o fiz também...em que fui confidente único - feliz - daquela maravilha do ocaso...ou em que "ternurei"...estupidifiquei...ou em que fui confessor ou confessado de mazelas e alegrias passadas, e de projetos comuns

...sem mágoa...sem falsas certezas...somente um  sentimento de degelo...
...ao olhar para as minhas veias...por momentos, junto que senti o sangue percorrer-me o braço a cada impulso...
...a música falava sobre o que se coloca em mochilas, e sobre correr de encontro ao que nos é importante...
...tornei a sentir motivação...

Ainda é cedo para tornar a mergulhar no Mar...nem sei sequer por que praia anseio...se pela praia que "deixei" pra trás...ou por qualquer outra que me possa surgir ao caminho...sei somente que não me vou fechar...que não me vou proteger...que não tornarei a erguer barreiras ou aceder a orgulhos e proto-atarefamentos que esbatam o que faz sorrir genuinamente...e que não me deixarei dar à indiferença, nem repetirei a entrega total...porque até um pôr do sol com nuvens pode ser tudo o que faz falta,..!

o que for, será...
...que seja bom!

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